Ontem a noite
Mais uma vez, minha família reunida na sala.
Minha mãe tricotava meu cachecol rosa, minha irmã mais nova navegando na net, meu pai assistindo a TV com meus pés no seu colo já que eu estava jogada no sofá tentando me recuperar de uma "dor de cabeça". Mas em meio a isso tudo, sempre havia uma conversa aqui, outra novidade a ser compartilhada ali. Diálogos, papo, sons...
Terminava a novela das sete. É uma novela engraçada, leve, que executa bem seu papel de entretenimento. Gostamos de assisti-la.
Logo depois começa o Jornal Nacional e na sua primeira reportagem não se ouvia mais sons.
SILÊNCIO.
Da TV vinha o som desesperado da voz de um pai. Era seu desabafo diante da morte de seu filho de 3 anos (faria 4 no próximo dia 29).
João Roberto foi morto por tiros quando policiais perseguiam um carro suspeito. O carro onde estava a mãe e seu irmãozinho de 9 meses foi confundido com o outro e metralhado.
A mãe ainda tentou fazer com que parassem, jogando a bolsa do bebê pra fora e logo depois saindo do carro. Mas eles não pararam.
João morreu. E agora?
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, pediu desculpa à sociedade e à família.
Ele disse que os policiais fizeram “essa confusão”, efetuando os disparos contra um automóvel aparentemente diferente do que estava sendo perseguido.
Nessa hora, não quis olhar pra meus pais nem pra minha irmã. Faltou coragem. O choro engasgou e ainda não saiu. A raiva foi maior.
Só soltei um "que merda!" e saí da sala.
Quem quiser ler mais: aqui e aqui.
Que Deus nos abençoe e nos proteja em nome de Jesus. Amém!!

